segunda-feira, 1 de março de 2010

O que minha imaginação me propicia


Quando era pequena, lembro de ter uma imaginação bastante fértil, mas jamais roubaria o posto de criativa e escritora da família de minha irmã. Ela era fera. Criava jogos, textos e estórias quase todos os dias. Eu, por outro lado, imaginava toda sorte de coisas da idade. Tinha amigos imaginários, um namorado imaginário, vivia milhares de aventuras com diversos temas, que me intrigavam e, sempre, sempre me dava bem. Claro que minha vida não era, exatamente, feita de lances perfeitos, meus foras eram homéricos e constantes e, minhas queridas irmã e prima, não os deixavam passar sem maiores constragimentos (além do já sofrido, seja ele qual fosse), mesmo anos após os fatos já terem caducado...


Mas, minha memória desde que me entendo por gente me prega peças. Lembro de uma vez, ainda na escola que uma professora nos pediu para escrever um texto (não lembro sobre o que, nem em que série estava). Sei que o escrevi, mostrei para minha irmã, meu super ego. Na minha cabeça era assim, eu consegui deixar outra pessoa ler, então, eu gostei, se deixei minha irmã ler, é porque aguardo críticas e o momento em que terei que re-escrevê-lo. Para meu engano, ela adorou o texto e saiu correndo gritando pela casa, querendo mostrá-lo aos meus pais, dizendo, aos berros: "olha o que Paola escreveu!" Sei que não foi por maldade, foi por pura alegria, mas sei que desde dia em diante, senti tanta vergonha, me senti tão exposta, que só me dispus a escrever depois dos trinta. Aos 17 anos me vi bloqueada e tive que fazer classes extras de redação para ver se algo saía, mas, nada. Olhava para o papel, ouvia os gritos de minha irmã, ficava nervosa e pimba, página vazia.


Pensei que quanto mais velha ficasse ou quanto mais anos de terapia fizesse, melhor ficaria...Mas isto não ocorreu, sempre que algo é importante para mim e meu valor está em jogo, me esvazio. Se tenho que provar algo ao outro, provo que sou péssima. Se não tenho que provar nada, sou ótima. Assistia aos jogos de inverno e pensava, nossa, se fosse eu para patinar para este público todo, já teria caído e ficado frustrada anos a fio.... Acho que ainda preciso de muita terapia!


Hoje, aqui, com meu quadro de horários, bem aberto, trabalhando do jeito que gosto, com tempo para criar e respirar, me veio a cabeça que teria sido uma boa idéia se tivesse me tornado escritora. Comecei a me imaginar, assim, uma Martha Medeiros (uma das minha autoras favoritas), e fui me vendo com os mesmos horários de hoje, mas com obrigações distintas. A tarefa de escrever o que me viesse à cabeça como tema. E pronto, comecei a imaginar um texto e, antes mesmo de chegar ao final, já me sentia escritora. Para não me limitar à minha imaginação como fazia quando criança, resolvi colocar a mão na massa. E... pimba! Veio este texto. Talvez para provar a mim mesma que se quisesse seria capaz de realizar tudo o que minha imaginação me propicia e ir além.

Um comentário:

Cris disse...

E você é bala, amiga! Você escreve lindo e seu post acabou de me inspirar para um post lá pro meu blog. Saudades 1000