segunda-feira, 9 de março de 2009

God is Great!


Ontem fui assistir a um filme que ganhou o Oscar. Não sou chegada a este tipo de coisa, o Oscar, para mim, é apenas uma forma de marketing da indústria cinematográfica para levar um público ainda maior para as telonas e, como eu nem sempre concordo com a opinião dos jurados, resolvi não assistir o filme vencedor. Mas, eu estava na sala escura, para assistir outro filme, quando vi o trailler do filme Slumdog Millionaire (Quem quer ser um milionário – no Brasil) e a doçura do trailler me tocou. Pensei que, de repente, o título podia ter realmente sido merecido.

A película trás a dura e triste realidade da Índia, crianças abandonadas, os catadores de lixo, as grandes favelas, os exploradores de menores, a fome, enfim, as violências que sofrem a cada dia as crianças deixadas ao Deus dará... Via o filme com o coração aos pulos, era real! A realidade da Índia é a mesma do Brasil, dos EUA e de tantos outros países. E aquele menino de 18 anos tinha tido a vida como escola e que escola f.d.p. e ainda assim, ele era doce! Respondia pergunta a pergunta baseando-se na sua própria vida e nas lições que havia adquirido no decorrer dela, e eram muitas as lições, mas, surpreendente mesmo, era ele ainda estar vivo. Jamal, o protagonista, não se impressiona , nem se deslumbra com o poder das armas, do crime organizado, como seu irmão Salim (e quem pode culpá-lo, por ver nisto uma forma de sobrevivência menos cruel para si mesmo?!), que ajoelhava-se e rezava todos os dias para seu Deus, pedindo-lhe perdão por tirar a vida de tantos outros; como os matadores de aluguel dos cangaços, caatingas, cerrados e até meso das cidades, que até hoje trabalham e mantém sua espiritualidade viva (para não enlouquecer, talvez?!)

Mas, a doçura de Jamal é mantida por amor, pelo amor que sentia por uma mulher, Latika, que conheceu na infância, que foi violada por seu próprio irmão, aos 14 ou 15 anos, e dada como “escrava sexual”, também por Salim, ao dono do crime organizado local.

Justo quando eu achava que a película não podia ser mais tocante, Salim me sai com um “God is great!”, quando está a beira da morte, no auge dos seus 20 anos, por ver seu irmão tornar-se um milionário, enquanto ele jaz sem vida. Como, minha gente, God is great?! Os católicos que me desculpem, mas depois de tanta miséria, como é que o cara pode afirmar que God is great?! – com interrogação e exclamação no final mesmo! Creio que na posição dele eu ia achar que God is a mother fucker, who fucked my mother and my life. Para mim, que nunca passei fome, que vivi, enfim, uma realidade completamente diferente e muito mais favorecida que a dele, vá lá que eu exclame “God is great!”, entretanto, Salim, Jamal e Latika parecem pensar o contrário, porque o amor triunfou. E esta foi a lição do filme para mim. O amor entre os dois irmãos, o amor pela vida, o amor pela companheira, que permeou toda a existência das três crianças no filme, o amor que nos faz ter coragem de lutar pelo que queremos e consegui-lo.

Por todo este amor, eu tenho que concordar, God is really Great!

Um comentário:

Cris disse...

Em uma coisa eu concordo com a religiao: Deus é Amor!!! Te amo minha lindinha.