quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Luz sob o Invisível


Ouvi uma reportagem na Tv sobre as pessoas invisíveis. E hoje me senti invisível. Quase fui atropelada na rua por uma senhorita que saía do estacionamento. Pensei: "será que esta senhorita não me enxerga?!" E, de repente, a reportagem do ser invisível fez sentido. As pessoas já não se olham no olhos, sentem medo da agressividade do outro, ou de excitar (incitar) a agressividade no outro. Aqui, em SP, isto me pareceu ainda mais forte. As pessoas no metrô me pareceram estar sempre exaustas, cansadas demais para tentar qualquer comunicação ou tristes demais e, qum sabe, até um pouco frustradas para tal. Aqui em Sampa, vejo de forma mais clara que em Salvador, um movimento de voltar-se para suas conchas, de encerrarem-se em suas casas e de lá, do lugar seguro assistirem tudo, sob olhos imaginativos, talvez um pouco influenciados pela TV. Porque ali, no estrito espaço que chamam de lar, se identificam no espelho de seus quartos, de seus lavabos e se enganam tentando crer que não precisam ser identificados por mais ninguém. Aprendi que ninguém é uma ilha e todos, sem excessão, estão loucos para serem reconhecidos, vistos! Seja no trabalho - talvez por isto hajam tantos workaholics... - no caminho que traçam nas suas vidas, seja ele físico ou não, por suas famílias, por mais que distantes... Ninguém é uma ilha e ser visto e identificado mesmo que seja na carteira que lhe dá identidade é tão fundamental quanto ganhar de presente um olhar que convida, um olhar que sorri, que lhe pede um carinho ou lhe agradece uma gentileza, ainda mais quando nos sentimos tão apagados, que já não conseguimos nos ver tão bem e nos sentimos no escuro. Assisti a um episódio de Sex and the City em que uma das mulheres - Samanta - a que era avessa a grandes intimidades na relação, sentia que seu atual parceiro podia vê-la, mesmo quando ela mesma não conseguia enxergar-se, pois estava no escuro. E, acho que é isto! Acho que precisamos muito sermos vistos, principalmente, quando estamos no escuro. Alguém pode, por favor, acender a luz do mundo?

Um comentário:

Cris disse...

Você é linda!!! Tô te vendo mesmo de longe, viu... beijos