
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Eu tava aqui pensando...

sábado, 16 de janeiro de 2010
O Escritor

(Dedico este conto a meu pai, que escolheu seu caminho para ser feliz)
Era uma vez um homem. Um destes homens comuns. Na verdade ele era menos comum do que se julgava, mas, também, não tinha nada demais. Quando jovem se prometeu que teria muito mais do que sua modesta família poderia lhe prover e logrou. Fez tudo o que pode para abrir as arestas de sua alma, mas, só mais tarde se deu conta que tudo o que queria descobrir era a natureza e a natureza das mulheres. Acabou casando-se com a mais fechada de todas, porque o mistério lhe agradava. Trabalhava todos os dias, em todos os seus três empregos, sem que isto lhe parecesse um grande fardo, apenas algo a ser feito. Nenhum dos seus três empregos, no entanto, lhe parecia assim uma Brastemp - geladeira formidável que havia acabado de adquirir, só para descobrir o que queria dizer a propaganda... Seu maior prazer mesmo era voltar para casa e levar a família inteira para praia, tomar umas cervejas, bater um baba e ver as mulheres desfilando a sua frente de biquínis. Se pudesse ter companhia para um bom papo, tanto melhor. Teve duas filhas, elas não eram nada parecido com o que havia sonhado e eram exatamente tudo o que havia sonhado, muito diferentes dele e, ao seu modo muito parecidas.
Foi só aos quarenta que descobriu o prazer da escrita, depois de ter sido elogiado inúmeras vezes pelos discursos que escrevia para os prefeitos e governadores da cidade. Aí, começou a achar que poderia ter jeito para coisa e era uma maneira de aquietar sua mente tão frutífera em sonhos e delírios imaginativos e ainda poderia colocar no papel suas inquietações. Como sempre muito planejado e rígido consigo mesmo, não deixou seu prazer interferir nos demais prazeres, nem nas suas obrigações de vida diária, como o supermercado, a praia, o baba e os três trabalhos, a fora o cinema, o teatro e o parque com as filhas – aí abro um parênteses, se ele soubesse que as filhas iriam seguir carreiras tão pouco rentáveis nesta área teria dedicado menos tempo ao ofício cultural e mais ao laboral.... Escrevia páginas inteiras e depois as rasgava por pequenos erros de ortografia (nunca fora assim tão bom no português), para, por puro desfrute, reescrevê-las.
Escrevia, absolutamente tudo o que passava por sua cabeça.
Um dia, tudo o que conseguia escrever era sobre a tristeza da morte, sua irmã havia ido embora e seus irmãos haviam-no encarregado de lidar com todas as árduas tarefas que acompanham a morte. Ele nunca conseguiu realmente se recuperar de ter encontrado o corpo da sua irmã já azul, no chão do necrotério do hospital. Deste fato nasceram os contos, “A Mulher Azul” e “A Santa vestia Azul”. Ele sabia que sua irmã não era santa coisa nenhuma, mas depois da morte, parece que todo o passado vira pó e a pessoa só é lembrada por tudo o que fez de bom, por todos os toques positivos. Sentia uma falta enorme de seu pai, que o havia deixado vítima de um câncer generalizado. Rígido e correto, seu pai havia lhe ensinado tudo, inclusive que na vida se leva pouco, mas se carrega um peso danado de se levar os outros, entes nem sempre tão queridos, mas entes, nas costas. Seu pai havia sido seu modelo de homem, de pai, de disciplina. Sua partida, tão inesperada, foi como uma facada em seu peito jovem e o envelheceu uns dez anos. Sem seu pai se sentia órfão e sua partida o cobriu com um sentimento de obrigatoriedade em dar suporte físico, financeiro e psicológico para toda sua família, para alegria geral de seus irmãos e irmã (que prontamente se aproveitaram do fato) e para desgosto e surto de sua esposa, que, simplesmente, não conseguia compreender o porquê dele tornar-se provedor dos irmãos mais velhos, mais ricos e mais espertos que ele. Mas, ainda tinha sua mãe, para conforta-lhe o coração, quando, em determinados momentos da vida, tudo o que queria era o colo dela, por mais que não pedisse e não recebesse afagos, o simples fato de tê-la por perto, já lhe fazia vir a mente a imagem dela preparando o café com pão e manteiga na sua infância. Esta era sua memória favorita e mais revisitada quando o mundo parecia desmoronar.
Entretanto, dez anos depois, quando já se encontrava na casa dos 60, foi a vez de sua mãe se despedir. Sua partida foi como se um assassino de sangue frio tivesse afundado uma navalha em seu peito quinhentas vezes, sem piedade. Não recebeu o abraço de ninguém, a única pessoa que lhe abraçou, a médica que lhe trouxe as más novas, fez com que desabasse em lágrimas, fato que não ocorria, desde a morte de sua irmã azul. Vira sua mãe definhar após uma queda boba, aos 91 anos, não conseguia não sentir-se culpado por sua morte, já que a mãe havia lhe implorado para tirá-la do hospital, pois não desejava morrer ali, sozinha. Fato que acabou ocorrendo, já que ele não teve paciência, nem jogo de cintura para negociar com seus três irmãos, que já sentiam o cheiro da herança da costureira e uivavam como lobos. Vendo-a definhar no hospital, implorou a Deus que, em sua benevolência, a levasse. E Deus o fez, duas semanas depois. Achou que aquilo era um milagre e tornou-se católico fervoroso, culpado pela morte de sua mãe e por odiar aquele Deus misericordioso, que um a um lhe roubava a família.
E sua vida foi sendo escrita, memória por memória, sem ele dar-se conta que escrevia suas memórias em suas linhas fantasiosas. Mas, a vida era dura e traiçoeira e lhe roubava ano a ano sua juventude. Já não subia em coqueiros, já não ia todo o final de semana para praia, já não via os amigos – aqueles filhos da puta que lhe disseram que estava velho demais para continuar no time de futebol – já não viajava para lugares exóticos, já não tomava banho de rio, já não era requisitado no trabalho, como antes. E ainda inventaram o computador, esta droga tecnológica, que ao invés de lhe ajudar a facilitar a vida, como diziam todos, só lhe atrapalhava. O que havia de errado com as máquinas de datilografar que lhe havia custado tanto tempo e dinheiro para conseguir lidar? Quando finalmente dominava uma tecnologia, ela já era ultrapassada e foi assim, que ele foi se sentindo também. Já era convidado por senhoras – bruacas, derrubadas - que aparentavam ter o dobro da sua idade para a fila do idoso.
E o mundo foi se tornando um local inóspito. O mundo e todas aquelas pessoas que pareciam querer lhe excluir. Foi buscar refúgio na família, seu porto seguro, mas ninguém parecia compreender seu drama, nem mesmo suas filhas. Foi aí que tomou a decisão de isolar-se. Resolveu aposentar-se e dedicar seus dias a escrita. Passava tantas horas, escrevendo em sua escrivaninha (à mão, porque jamais voltaria a usar aquela porcaria de computador que apagava seus trabalhos e o fazia sentir-se patético e ignorante), que um dia viu-se preso em suas estória. Vivia-as de modo tão intenso, que foi se afastando do mundo real. O mundo real virou seu mundo de contos, onde os gatos falavam, órgãos sexuais voavam e os personagens falavam tanto que não se compreendiam e o confundiam e, por isto, sua vida tornou-se uma seqüência de estórias sem pé nem cabeça, sem começo, nem fim, mas ali, ele sentia-se seguro, sentia-se feliz.
Era uma vez um homem, que entrou em seus contos, perdeu-se e foi feliz.
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Sogras

sexta-feira, 25 de setembro de 2009
4 Paradas

Peguei um ônibus da Barra em direção ao Campo Grande, bem cedinho, às 07. Quando entrei no ônibus, me deparei com vários homens sentados em bancos próximos, porém distintos. Um todo de vermelho (claro que as estampas não combinavam, mas para ele estava ótimo), outro todo de preto, outro de verde e azul. O rapaz todo de preto, ligou a música do seu celular e o ônibus todo começou a escutar música sertaneja. Na primeira parada, entrou uma senhora, não falava muito alto, mas começou a chorar, contou que havia perdido o marido e o filho num acidente, que havia ficado na miséria junto com a nora e que resolveu pedir no ônibus, por mais que aquilo lhe causasse vergonha, porque sempre fora dona de casa, nunca havia trabalhado,mas não agüentou ver seu neto desmaiar de fome. O choro da senhora comoveu a todos e o homem de preto, gritou de lá:? “toma aí, senhora, não precisa chorar!” E cada um dos homens coloridos foram tirando as “nicas” do bolso e dando para a velha. Na segunda parada, a velha desceu, os homens se reuniram e começaram a falar da velha, o de vermelho alfineta: “pra menino, eu não dou, mas para uma velha chorarando assim, ou vai para Globo ou tá passando necessidade mesmo!” (vocês acreditam que a velha faz isto há anos! Tem que ir para Globo!), ao passar por uma construção, comentaram: “voar baixo não é para mim, não, só gosto das alturas, dos prediões!”. Os outros concordaram e desceram no terceiro ponto, em frente a uma construção. O quarto nem era ponto, mas o motorista parou para pegar um mingau com uma senhora baixiiiiiinha, gordiiiinha, destas bem rechonchudas! Quando a moça olhou para ele, ele gritou de cá: “ quase que não parava aqui hoje!”. E a outra: “Por que, meu bem?”. O homem grande, gordo e risonho, sem perder o sorriso, “pelas coisas que você falou...”. E ela: “que coisas?”. Ele: “c sabe!”. Pra terminar a conversa com chave de ouro, depois do namoro público: “pois hoje eu volto contigo, meu bem, para você me contar tudo no ouvidinho!”. Depois desta, tive que descer no ponto! Que pena! RS
Absurdos Americanos

Foi com grande choque que ouvi a notícia (é! Eles tiveram coragem de anunciar isto) de um grande feito americano. Agora eles estão próximos de descobrir a cura da AIDS, que quase 20 anos depois de ter sido descoberta ainda não tem cura. Não querendo contaminar a própria população, os espertos americanos foram para a Tailândia, como poderiam ter vindo para o Brasil. Ofereceram dinheiro vivo e rápido para o contigente populacional sedento de comida e de uma alternativa de subsistência e infectaram uma percentagem (não mínima e que, nem de longe pode ser desconsiderada) da população, injetando vacinas que já não haviam funcionado antes, só que desta vez combinadas. O resultado? 30% da população infectada, e nem sinal de cura, apesar do criminoso cientista mostrar-se feliz por estarem mais próximos agora de, finalmente, encontrar uma cura. As opções americanas começam a se esgotar. Tailândia, down; Africa, down, Índia, down, Brasil,???? Eles já tomaram a Amazônia (os soldados já estão lá, com suas bandeiras fincadas no solo brasileiro – o que é para eles significa território já conquistado!), já invadiram cada um dos estados brasileiros com suas Mc Donald´s, Subways, Fords etc. Creio que o plano deixou de ser conquistar o mundo e tornou-se destruir o mundo, para re-construí-lo só com americanos. O bom é que gananciosos como são, acabarão por destruir-se uns aos outros. Ops, mas isto já está acontecendo?!...
domingo, 20 de setembro de 2009
Partes esquecidas da cidade, partes esquecidas de mim

quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Descobrindo meu valor (porque concordo com Cris :)
