sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Eu tava aqui pensando...


Eu estava aqui pensando e algumas questões simplesmente me parecem inexplicáveis...

1- Por que o EUA estão sempre achando que podem primeiro invadir, depois destruir e por fim reconstruir, pousando aí de heróis?

2 - Por que são eles que espalham doenças que afligem populações inteiras, viram pandemias e depois, são eles mesmos que se incumbem de encontrar o antídoto, novamente, pousando de heróis?

3 - Por que este país se acha todo de toda a Terra?

4 - Por que ele crê que todos são uma ameça, se só ele é uma ameaça apra o mudno, já que é ele que detém quase todo o armamento do planeta e é ele mesmo que o vende?

5 - Por que ele chama outros países e outros cidadãos de terroristas, se são eles que criam o terror?

6 - Por que são eles que tem recursos suficiente para ajudar o Haiti, mas para lá eles só enviam soldados, que oprimem a população com suas ferozes armas em punho?

7 - Por que criam a imagem de inimigo de tudo aquilo que desconhecem?

8 - Como conseguiram poluir não só o céu como a órbita da Terra?


É, eu acho que vou pensar em outra coisa...


sábado, 16 de janeiro de 2010

O Escritor



(Dedico este conto a meu pai, que escolheu seu caminho para ser feliz)



Era uma vez um homem. Um destes homens comuns. Na verdade ele era menos comum do que se julgava, mas, também, não tinha nada demais. Quando jovem se prometeu que teria muito mais do que sua modesta família poderia lhe prover e logrou. Fez tudo o que pode para abrir as arestas de sua alma, mas, só mais tarde se deu conta que tudo o que queria descobrir era a natureza e a natureza das mulheres. Acabou casando-se com a mais fechada de todas, porque o mistério lhe agradava. Trabalhava todos os dias, em todos os seus três empregos, sem que isto lhe parecesse um grande fardo, apenas algo a ser feito. Nenhum dos seus três empregos, no entanto, lhe parecia assim uma Brastemp - geladeira formidável que havia acabado de adquirir, só para descobrir o que queria dizer a propaganda... Seu maior prazer mesmo era voltar para casa e levar a família inteira para praia, tomar umas cervejas, bater um baba e ver as mulheres desfilando a sua frente de biquínis. Se pudesse ter companhia para um bom papo, tanto melhor. Teve duas filhas, elas não eram nada parecido com o que havia sonhado e eram exatamente tudo o que havia sonhado, muito diferentes dele e, ao seu modo muito parecidas.



Foi só aos quarenta que descobriu o prazer da escrita, depois de ter sido elogiado inúmeras vezes pelos discursos que escrevia para os prefeitos e governadores da cidade. Aí, começou a achar que poderia ter jeito para coisa e era uma maneira de aquietar sua mente tão frutífera em sonhos e delírios imaginativos e ainda poderia colocar no papel suas inquietações. Como sempre muito planejado e rígido consigo mesmo, não deixou seu prazer interferir nos demais prazeres, nem nas suas obrigações de vida diária, como o supermercado, a praia, o baba e os três trabalhos, a fora o cinema, o teatro e o parque com as filhas – aí abro um parênteses, se ele soubesse que as filhas iriam seguir carreiras tão pouco rentáveis nesta área teria dedicado menos tempo ao ofício cultural e mais ao laboral.... Escrevia páginas inteiras e depois as rasgava por pequenos erros de ortografia (nunca fora assim tão bom no português), para, por puro desfrute, reescrevê-las.



Escrevia, absolutamente tudo o que passava por sua cabeça.



Um dia, tudo o que conseguia escrever era sobre a tristeza da morte, sua irmã havia ido embora e seus irmãos haviam-no encarregado de lidar com todas as árduas tarefas que acompanham a morte. Ele nunca conseguiu realmente se recuperar de ter encontrado o corpo da sua irmã já azul, no chão do necrotério do hospital. Deste fato nasceram os contos, “A Mulher Azul” e “A Santa vestia Azul”. Ele sabia que sua irmã não era santa coisa nenhuma, mas depois da morte, parece que todo o passado vira pó e a pessoa só é lembrada por tudo o que fez de bom, por todos os toques positivos. Sentia uma falta enorme de seu pai, que o havia deixado vítima de um câncer generalizado. Rígido e correto, seu pai havia lhe ensinado tudo, inclusive que na vida se leva pouco, mas se carrega um peso danado de se levar os outros, entes nem sempre tão queridos, mas entes, nas costas. Seu pai havia sido seu modelo de homem, de pai, de disciplina. Sua partida, tão inesperada, foi como uma facada em seu peito jovem e o envelheceu uns dez anos. Sem seu pai se sentia órfão e sua partida o cobriu com um sentimento de obrigatoriedade em dar suporte físico, financeiro e psicológico para toda sua família, para alegria geral de seus irmãos e irmã (que prontamente se aproveitaram do fato) e para desgosto e surto de sua esposa, que, simplesmente, não conseguia compreender o porquê dele tornar-se provedor dos irmãos mais velhos, mais ricos e mais espertos que ele. Mas, ainda tinha sua mãe, para conforta-lhe o coração, quando, em determinados momentos da vida, tudo o que queria era o colo dela, por mais que não pedisse e não recebesse afagos, o simples fato de tê-la por perto, já lhe fazia vir a mente a imagem dela preparando o café com pão e manteiga na sua infância. Esta era sua memória favorita e mais revisitada quando o mundo parecia desmoronar.



Entretanto, dez anos depois, quando já se encontrava na casa dos 60, foi a vez de sua mãe se despedir. Sua partida foi como se um assassino de sangue frio tivesse afundado uma navalha em seu peito quinhentas vezes, sem piedade. Não recebeu o abraço de ninguém, a única pessoa que lhe abraçou, a médica que lhe trouxe as más novas, fez com que desabasse em lágrimas, fato que não ocorria, desde a morte de sua irmã azul. Vira sua mãe definhar após uma queda boba, aos 91 anos, não conseguia não sentir-se culpado por sua morte, já que a mãe havia lhe implorado para tirá-la do hospital, pois não desejava morrer ali, sozinha. Fato que acabou ocorrendo, já que ele não teve paciência, nem jogo de cintura para negociar com seus três irmãos, que já sentiam o cheiro da herança da costureira e uivavam como lobos. Vendo-a definhar no hospital, implorou a Deus que, em sua benevolência, a levasse. E Deus o fez, duas semanas depois. Achou que aquilo era um milagre e tornou-se católico fervoroso, culpado pela morte de sua mãe e por odiar aquele Deus misericordioso, que um a um lhe roubava a família.



E sua vida foi sendo escrita, memória por memória, sem ele dar-se conta que escrevia suas memórias em suas linhas fantasiosas. Mas, a vida era dura e traiçoeira e lhe roubava ano a ano sua juventude. Já não subia em coqueiros, já não ia todo o final de semana para praia, já não via os amigos – aqueles filhos da puta que lhe disseram que estava velho demais para continuar no time de futebol – já não viajava para lugares exóticos, já não tomava banho de rio, já não era requisitado no trabalho, como antes. E ainda inventaram o computador, esta droga tecnológica, que ao invés de lhe ajudar a facilitar a vida, como diziam todos, só lhe atrapalhava. O que havia de errado com as máquinas de datilografar que lhe havia custado tanto tempo e dinheiro para conseguir lidar? Quando finalmente dominava uma tecnologia, ela já era ultrapassada e foi assim, que ele foi se sentindo também. Já era convidado por senhoras – bruacas, derrubadas - que aparentavam ter o dobro da sua idade para a fila do idoso.



E o mundo foi se tornando um local inóspito. O mundo e todas aquelas pessoas que pareciam querer lhe excluir. Foi buscar refúgio na família, seu porto seguro, mas ninguém parecia compreender seu drama, nem mesmo suas filhas. Foi aí que tomou a decisão de isolar-se. Resolveu aposentar-se e dedicar seus dias a escrita. Passava tantas horas, escrevendo em sua escrivaninha (à mão, porque jamais voltaria a usar aquela porcaria de computador que apagava seus trabalhos e o fazia sentir-se patético e ignorante), que um dia viu-se preso em suas estória. Vivia-as de modo tão intenso, que foi se afastando do mundo real. O mundo real virou seu mundo de contos, onde os gatos falavam, órgãos sexuais voavam e os personagens falavam tanto que não se compreendiam e o confundiam e, por isto, sua vida tornou-se uma seqüência de estórias sem pé nem cabeça, sem começo, nem fim, mas ali, ele sentia-se seguro, sentia-se feliz.



Era uma vez um homem, que entrou em seus contos, perdeu-se e foi feliz.


quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Sogras



Ano atribulado, onde a rotina anestesiante roubou o lugar do bem estar e abriu alas para a falta de qualidade de vida. Eis, que estou eu às voltas em como mudar, a que dar prioridade e foi justo aí, no final de dezembro que ela chegou, loira, de camiseta colada e mini saia, chamando Marcos de filhinho da mamãe, perguntando se ele queria comidinha, que lavasse a roupa dele, cortasse suas unhas... E eu, pensando, "essa velha tem que ir embora imediatamente". Anos de terapia para não infantilizar meu respectivo, para não me tornar sua mãe e, sim, sua esposa e chega a velha para colocar a casa abaixo. Passei a primeira semana, só de olho, observando e pensando comigo que não tinha que ser boazina com ela, nem ficar ouvindo como era boa a ex de Marcos. Na segunda semana - É! porque o filhinho da mamãe a convidou para ficar um mês, enquanto ele ficava trabalhando, eu ficava tarde e noite em casa, porque só trabalho pelas manhãs agora... - chegava morta (com o cansaço do ano inteiro acumulado) e lá vem as filhas dele. Eu, a sogra e as filhas em casa e ele, trabalhando. E eu, só na terapia me convencendo que não era mãe, nem babá de ninguém! Faço um almoço para meus pais e ela diz que minha mãe era visita e eu respondi: " não, ela não é visita, ela é minha mãe!" - Fiquei coçando para não dizer que ELA era a visita... apesar de ter passado a manhã na cozinha. Aí, na terceira semana entreguei os pontos, já estava achando ela ótima! Ela limpa, cozinha, cuida das crianças, dos gatos, da planta. Parou de falar da ex, após certos comentários pouco doces meus... Meu Deus, cheguei a conclusão que essa mulher é uma mão na roda e me dei conta que ela se faz útil, necessária, para se fazer bem quista, para se fazer amada. E logra! Aí, foi que vi que Salvador foi assaltada por uma chuva de sogras (ou será que elas já estavam lá?!), no mercado, todas de mini blusa, mini saia, shortinho (mini tudo! Mas saltos enoooorrmes!) , com corpos sarados (às vezes gordinhas, baixainhas, com um sorrizinho, mas não se enganem, não me engano!), caras de mandonas, donas do lar, dos maridos, dos filhos, das empregadas, de suas bolsas enormes que não largam para nada, esgotadas, já não sorriem facilmente, são o retrato de uma vida suspensa - carregada - de responsabilidades e elas dão conta de tudo, até de pagar pelas benditas plásticas. As sogras do ano 2000 são assim, modernas, mas tão ditadoras e tão controladas e controladoras como eram minhas avós...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

4 Paradas



Peguei um ônibus da Barra em direção ao Campo Grande, bem cedinho, às 07. Quando entrei no ônibus, me deparei com vários homens sentados em bancos próximos, porém distintos. Um todo de vermelho (claro que as estampas não combinavam, mas para ele estava ótimo), outro todo de preto, outro de verde e azul. O rapaz todo de preto, ligou a música do seu celular e o ônibus todo começou a escutar música sertaneja. Na primeira parada, entrou uma senhora, não falava muito alto, mas começou a chorar, contou que havia perdido o marido e o filho num acidente, que havia ficado na miséria junto com a nora e que resolveu pedir no ônibus, por mais que aquilo lhe causasse vergonha, porque sempre fora dona de casa, nunca havia trabalhado,mas não agüentou ver seu neto desmaiar de fome. O choro da senhora comoveu a todos e o homem de preto, gritou de lá:? “toma aí, senhora, não precisa chorar!” E cada um dos homens coloridos foram tirando as “nicas” do bolso e dando para a velha. Na segunda parada, a velha desceu, os homens se reuniram e começaram a falar da velha, o de vermelho alfineta: “pra menino, eu não dou, mas para uma velha chorarando assim, ou vai para Globo ou tá passando necessidade mesmo!” (vocês acreditam que a velha faz isto há anos! Tem que ir para Globo!), ao passar por uma construção, comentaram: “voar baixo não é para mim, não, só gosto das alturas, dos prediões!”. Os outros concordaram e desceram no terceiro ponto, em frente a uma construção. O quarto nem era ponto, mas o motorista parou para pegar um mingau com uma senhora baixiiiiiinha, gordiiiinha, destas bem rechonchudas! Quando a moça olhou para ele, ele gritou de cá: “ quase que não parava aqui hoje!”. E a outra: “Por que, meu bem?”. O homem grande, gordo e risonho, sem perder o sorriso, “pelas coisas que você falou...”. E ela: “que coisas?”. Ele: “c sabe!”. Pra terminar a conversa com chave de ouro, depois do namoro público: “pois hoje eu volto contigo, meu bem, para você me contar tudo no ouvidinho!”. Depois desta, tive que descer no ponto! Que pena! RS

Absurdos Americanos



Foi com grande choque que ouvi a notícia (é! Eles tiveram coragem de anunciar isto) de um grande feito americano. Agora eles estão próximos de descobrir a cura da AIDS, que quase 20 anos depois de ter sido descoberta ainda não tem cura. Não querendo contaminar a própria população, os espertos americanos foram para a Tailândia, como poderiam ter vindo para o Brasil. Ofereceram dinheiro vivo e rápido para o contigente populacional sedento de comida e de uma alternativa de subsistência e infectaram uma percentagem (não mínima e que, nem de longe pode ser desconsiderada) da população, injetando vacinas que já não haviam funcionado antes, só que desta vez combinadas. O resultado? 30% da população infectada, e nem sinal de cura, apesar do criminoso cientista mostrar-se feliz por estarem mais próximos agora de, finalmente, encontrar uma cura. As opções americanas começam a se esgotar. Tailândia, down; Africa, down, Índia, down, Brasil,???? Eles já tomaram a Amazônia (os soldados já estão lá, com suas bandeiras fincadas no solo brasileiro – o que é para eles significa território já conquistado!), já invadiram cada um dos estados brasileiros com suas Mc Donald´s, Subways, Fords etc. Creio que o plano deixou de ser conquistar o mundo e tornou-se destruir o mundo, para re-construí-lo só com americanos. O bom é que gananciosos como são, acabarão por destruir-se uns aos outros. Ops, mas isto já está acontecendo?!...

domingo, 20 de setembro de 2009

Partes esquecidas da cidade, partes esquecidas de mim


Caminhava outro dia pelo centro da cidade. Gosto de andar de ônibus às vezes, creio que é uma boa maneira de ver as coisas de uma outra forma e não passar pelas pessoas, se encontrar com elas! Fui fazer uma prova em Nazaré e caminhando por ali, decidi pegar um ônibus, descer no Campo Grande e ir andando para casa. Nossa, como fazia tempo que não passava por ali, era quase como se aquela parte da cidade não mais existisse no meu mapa da cidade, era como se ela estivesse morta. Foi neste instante que uma idéia me assaltou, era assim também com meu corpo, havia partes em mim, que de tanto não ir, acabei por esquecer. Sei que ela existe, mas já não passeio por ali... Re-visitar o conhecido é quase ver o velho com outros olhos, com novos olhos. E, foi pensando nisto que me senti invadida por uma alegria, que só quem viveu o re-encontro de um velho conhecido que lhe trás boas memórias, pode sentir. E hoje, apesar de sentir uma vontade grande, deixarei o texto assim mesmo, sem estar realmente terminado, porque creio que as explorações de nós mesmos, das cidades, dos tesouros, dos fósseis, sejam mesmo assim, sem fim.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Descobrindo meu valor (porque concordo com Cris :)


Depois de anos passeando entre experiências, profissões e diferentes carreiras, acabei parando no inglês. O ccaa foi a única cia em que me mantive por anos, mas ontem, comecei a me questionar por quê? Recebo salários advindos dos cheques dos alunos, que chegam sem fundo, borrachudos etc, minhas horas extras não remuneradas são longas e cansativas e, segundo eles, obrigatórias. Corro de um lado para o outro, me esforço para ser boa, para dar uma boa aula, para não deixar o aluno na mão, já ouvi que sou uma professora que consegue manter os alunos na casa e por isto sou privilegiada com mais turmas, aí vem mais controvérsias... Me demitem, para não ter que pagar os impostos que a empresa deve ao governo, fico sem carteira assinada por todo o primeiro semestre, fico na rua da amargura em julho, sem receber um puto, porque os outros professores que acabaram de começar, mas que, rapidamente, caíram nas graças da diretora, foram privilegiados e estes mesmos professores têm o mesmo número de turmas que eu, que sou privilegiada... Depois de julho, fiquei desesperada, peguei 9 turmas e corro entre a Paralela e Itapuã, para no fial do mês ganhar R$700,00. Ontem, caiu sobre a minha cabeça um grande sino que não pára de estalar me dizendo que sou desvalorizada, que não desejo continuar e que esta escolha em ser desvalorizada foi minha, que me mantive nesta posição e hoje digo NÃ O. Ouvi ontem de Cris, que quando tem que ser, as coisas acontecem, basta a gente confiar. Acho que não estou confiando tanto assim em mim, porque se este fosse o caso a antiginástica já estaria acontecendo, como estou vendo acontecer com algumas colegas que nem eram da área... Ontem, tive uma luz, um raio, que me partiu ao meio, me dizendo que agora é a minha vez e que eu era mais desvalorizada que livros, cds, perfumes, todos eram mais caros que eu, em resumo, eu estou sem valor, para mim e para o outro e que esta é uma posição que já não desejo mais ( não desejo isto nem ao meu pior inimigo...) Chegou a hora de me dar valor!